Epigenética e microbioma se combinam antes mesmo do nascimento, indicam cientistas
Estudo internacional – Nos últimos dias, pesquisadores descobriram que alterações epigenéticas presentes no momento do parto parecem guiar quais bactérias colonizarão o intestino do bebê durante o primeiro ano de vida, criando combinações associadas a sinais iniciais de autismo e TDAH aos três anos.
- Em resumo: o perfil genético do recém-nascido influencia o tipo de bactéria que se instalará em seu intestino.
- Vale destacar: determinadas duplas “gene + micróbio” foram ligadas a menor incidência de marcadores precoces de transtornos do neurodesenvolvimento.
Como genes e bactérias dialogam nos primeiros meses
O grupo analisou amostras de cordão umbilical e fezes de centenas de bebês, mapeando marcadores epigenéticos — pequenas “chaves” químicas que ligam ou desligam genes — e a composição do microbioma intestinal. Segundo o relatório, crianças que nasceram com padrões epigenéticos capazes de favorecer Bifidobacterium e Lactobacillus — gêneros conhecidos por reforçar a barreira intestinal — exibiram menor risco de alterações comportamentais relacionadas ao espectro autista e ao transtorno de déficit de atenção. Diretrizes do MedlinePlus sobre microbioma reforçam a importância dessas bactérias para a saúde imunológica e cerebral.
“As assinaturas epigenéticas detectadas no nascimento podem prever o caminho de colonização do microbioma e influenciar o neurodesenvolvimento ainda na primeira infância”, resume o artigo publicado na ScienceDaily.
Impacto prático para gestantes, pediatras e pesquisadores
Embora o trabalho não proponha intervenções imediatas, ele abre duas frentes. Para a comunidade científica, sugere que testes epigenéticos ao nascer poderiam servir como indicador precoce de risco. Já para profissionais de saúde materno-infantil, reforça a atenção a fatores que moldam a flora intestinal — incluindo tipo de parto, amamentação e uso prudente de antibióticos — durante o primeiro ano, janela crítica apontada pelo estudo.
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Crédito da imagem: Divulgação / ScienceDaily