Por que os 3 meses que antecedem a concepção são decisivos para mãe e bebê
Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de SP) — Planejar a gravidez de forma estruturada, com avaliação médica entre três e seis meses antes da tentativa, dá à mulher a chance de corrigir carências nutricionais, atualizar vacinas e controlar doenças crônicas, reduzindo complicações durante a gestação.
- Em resumo: ginecologistas recomendam check-up, ajuste de estilo de vida e suplementação de ácido fólico antes de engravidar.
- Vale destacar: tabaco, álcool e medicamentos sem prescrição elevam o risco de malformações e devem ser suspensos já no pré-concepção.
Exames de rotina: o mapa da sua saúde reprodutiva
Hemograma, tipagem sanguínea, glicemia, perfil lipídico e sorologias para rubéola, toxoplasmose, hepatites e HIV compõem o pacote básico indicado pela coordenadora científica de obstetrícia, Silvana Quintana. A função tireoidiana (TSH) e o rastreio para câncer de colo do útero entram na lista, que deve ser individualizada. Segundo o MedlinePlus, portal clínico do NIH, identificar distúrbios hormonais ou infecciosos com antecedência é peça-chave para prevenir perdas gestacionais e alterações no desenvolvimento fetal.
“A mulher deve procurar seu ginecologista de três a seis meses antes de tentar engravidar”, reforça Quintana, lembrando que não existe checklist único: histórico familiar e estilo de vida definem os exames extras.
Suplementos e vacinas: quando começar e em que dose
Há consenso científico de que 400 µg/dia de ácido fólico, iniciados um a três meses antes da concepção e mantidos até o fim do primeiro trimestre, cortam pela metade o risco de defeitos no tubo neural. Em situações de alto risco — uso de anticonvulsivantes ou histórico de anencefalia — a dose sobe para 4 mg. Vitamina D e ferro são avaliados caso a caso, enquanto iodo ou ômega-3 só entram com comprovação laboratorial.
No calendário vacinal, tríplice viral e varicela precisam ser aplicadas pelo menos 30 dias antes da tentativa, pois contêm vírus vivos. Já influenza, hepatite B, dTpa e doses contra covid-19 podem ser feitas ainda na gestação, seguindo o Programa Nacional de Imunizações.
Estilo de vida: o que priorizar e o que abandonar
Alimentação rica em folatos naturais (verduras verde-escuras e leguminosas), exercício moderado, sono reparador e controle de estresse mantêm o eixo hormonal em equilíbrio. Do outro lado, tabagismo, álcool, drogas recreativas e exposição a solventes ou metais pesados elevam riscos de parto prematuro, baixo peso e malformações. Para mulheres com doenças crônicas — diabetes, hipertensão, lúpus ou artrite reumatoide, entre outras — a palavra-chave é controle: engravidar com a doença estável minimiza complicações e pode exigir ajuste de medicamentos teratogênicos.
O que você acha? Quais desses ajustes você já colocou em prática? Para mais orientações sobre saúde e bem-estar antes, durante e depois da gravidez, acesse nossa editoria de Saúde e Recuperação.
Crédito da imagem: Divulgação / Portal Drauzio Varella