Treinos intensos logo nas primeiras semanas de corrida podem desencadear um turbilhão hormonal capaz de atrapalhar o sono e provocar oscilações de humor, alertam especialistas.
Por que o corpo entra em alerta
De acordo com o endocrinologista esportivo Otávio Morais, sessões muito puxadas elevam rapidamente a frequência cardíaca e a temperatura corporal. Esse combo faz o organismo liberar doses extras de cortisol, conhecido como “hormônio do estresse”. Em paralelo, há queda de serotonina, neurotransmissor ligado ao bem-estar. O resultado aparece à noite: sono leve, despertares frequentes e sensação de cansaço que não vai embora.
O problema é amplificado em corredores novatos, cujos sistemas cardiovascular e muscular ainda estão em fase de adaptação. “Treino deve gerar energia, não esgotamento”, afirma o médico. Persistência de dores musculares, irritabilidade, perda de apetite e queda de rendimento são sinais claros de que a carga precisa ser revista.
Estudo citado por Morais reforça que desequilíbrios hormonais podem surgir após poucas sessões mal dosadas, especialmente quando não há descanso ou reposição adequada de nutrientes que participam da síntese de neurotransmissores. Se esses sintomas aparecerem, vale diminuir a intensidade e priorizar o sono de qualidade.
Como ajustar carga e acelerar a recuperação
Para fugir desse ciclo, o ideal é começar com treinos leves a moderados, aumentando distância e velocidade de forma progressiva. Evitar tiros muito fortes à noite também ajuda o corpo a “desligar” antes de deitar. “O relógio biológico precisa de tempo para entender o novo estímulo”, ressalta Morais.
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Planejar dias de descanso ativo, hidratar-se bem e investir em refeições ricas em macronutrientes — carboidratos para repor energia, proteínas para reconstrução muscular e gorduras boas para modular hormônios — completam a estratégia de recuperação. Uma revisão do portal Drauzio Varella lembra que níveis cronicamente altos de cortisol estão associados a ansiedade e insônia, reforçando a importância de equilibrar treino, alimentação e relaxamento.
Monitorar a resposta do corpo, seja por diário de treino ou smartwatch, facilita ajustes antes que o estresse vire lesão ou estagnação. Se dúvidas persistirem, procure um profissional de Educação Física ou Nutrição Esportiva.
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Fonte: Webrun