Corrida no calor: entenda por que o rendimento cai

Corrida no calor exige do corpo um esforço extra para dissipar a temperatura, e esse ajuste fisiológico começa pelo redirecionamento do fluxo sanguíneo, aumento do suor e ventilação acelerada – combinação que pode derrubar seu rendimento em poucos quilômetros.

Por que o nariz vira ponto fraco nas altas temperaturas?

Quando o ar está quente e seco, a mucosa nasal perde umidade rapidamente, favorecendo microfissuras, inflamação local e até sangramentos leves (epistaxes). A rede vascular do plexo de Kiesselbach, situada na parte anterior do septo, fica mais exposta, tornando a região sensível. O resultado prático para o corredor é um nariz ardendo, sensação de via aérea “nua” e respiração menos eficiente. Com a obstrução nasal, a tendência é migrar cedo para a respiração bucal, que filtra e umidifica menos o ar, aumentando a temperatura corporal e elevando o consumo de oxigênio (VO₂). Segundo especialistas, isso reduz o limiar ventilatório, eleva a percepção de esforço (RPE) e amplia o risco de fadiga precoce. Estudos sobre epistaxe confirmam esse mecanismo de ressecamento nasal em ambientes secos e quentes (confira em Drauzio Varella).

Estrategicamente, como manter o desempenho?

A primeira linha de defesa é a hidratação nasal com solução salina isotônica antes e depois da corrida, medida simples que preserva o epitélio mucociliar. Programar treinos no início da manhã, quando a temperatura está abaixo dos 30 °C, reduz a sobrecarga térmica. Caso precise treinar em horários críticos, baixe a intensidade ou divida a sessão em blocos curtos para não ultrapassar o limiar de fadiga. Evitar ambientes com ar-condicionado muito seco também ajuda a manter a umidade intranasal estável. Após o treino, uma irrigação nasal suave remove partículas e diminui a inflamação. Importante: fuja de descongestionantes vasoconstritores como efedrina ou oximetazolina, que agravam o efeito rebote e o ressecamento.

Para quem almeja performance sustentável o ano todo, adaptar a planilha de treinos à realidade do termômetro é tão necessário quanto ajustar macronutrientes na dieta. Se o clima esquentou e o nariz deu sinal de alerta, vale mais reduzir 10 % da velocidade agora do que perder semanas de evolução por sobrecarga respiratória.

No verão, portanto, o segredo não é coragem, mas estratégia. Mantenha o nariz hidratado, respeite a temperatura ambiente e ajuste o ritmo para que o prazer de correr não derreta junto com o seu rendimento. Para mais dicas de preparação física e desempenho, visite nossa seção de Cardio e Musculação e continue evoluindo nos treinos.

Crédito da imagem: Adobe Stock Fonte: Adobe Stock

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