Quando ler a receita vira obstáculo para cuidar da saúde
DrauzioCast #262 – Recentemente, o podcast comandado por Drauzio Varella expôs que cerca de 40 milhões de brasileiros deixam o consultório sem conseguir interpretar a própria receita médica, reflexo direto do analfabetismo funcional no país.
- Em resumo: a falta de letramento impede o paciente de seguir orientações básicas sobre medicamentos e exames.
- Vale destacar: médicos de família e agentes comunitários são a principal linha de frente para diminuir o problema.
Por que o analfabetismo funcional trava o tratamento
Segundo o médico de família Lucas Cardim, criador da plataforma Cuidado Para Todos, a dificuldade de leitura faz com que instruções simples – como dosagem ou intervalo de uso – sejam esquecidas ou interpretadas de forma perigosa. A questão vai além da letra do profissional: envolve barreiras sociais, educacionais e de saúde pública. Estudos internacionais sobre alfabetização em saúde mostram que a compreensão limitada aumenta internações, custos e complicações crônicas.
“Cerca de 40 milhões de brasileiros saem da consulta sem entender a receita. Sem informação clara, não existe adesão ao tratamento”, pontua Cardim no episódio.
O papel estratégico do médico de família e dos agentes de saúde
No Sistema Único de Saúde, a porta de entrada é a Atenção Primária. Quando o profissional conhece o histórico do paciente, adapta o vocabulário e usa materiais visuais, a taxa de adesão melhora significativamente. Nas visitas domiciliares, agentes comunitários reforçam o passo a passo dos remédios, organizam caixas de comprimidos por cores e checam sinais de alerta. Para quem treina, faz suplementação ou lida com condições crônicas como hipertensão, esse acompanhamento reduz riscos de doses erradas e potencializa resultados de desempenho físico.
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Crédito da imagem: Divulgação / Portal Drauzio Varella