Dados revelam gargalos críticos em diagnóstico precoce e suporte contínuo
Mapa Autismo Brasil (MAB) – Recém-divulgado, o levantamento ouviu mais de 23 mil pessoas em todo o país e aponta entraves que ainda comprometem a qualidade de vida de quem vive no espectro.
- Em resumo: 51,7% recebem diagnóstico até os 4 anos, mas 26% não têm acesso regular a terapias.
- Vale destacar: 92,4% dos cuidadores são mulheres, refletindo elevada sobrecarga familiar.
Diagnóstico precoce ainda depende da família
Mais da metade dos primeiros sinais é percebida por parentes, enquanto médicos respondem por apenas 7,3% das suspeitas iniciais. A confirmação fica majoritariamente nas mãos de neurologistas e neuropediatras, cenário que reforça a importância da capacitação básica de pediatras e professores. Diretrizes internacionais sobre transtorno do espectro autista recomendam atenção redobrada aos marcos de desenvolvimento até os 18 meses.
“A demora no diagnóstico reduz oportunidades de intervenção precoce, fundamentais para comunicação, autonomia e aprendizagem”, alerta Joana Portolese, do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP.
Custos e escassez de terapias desafiam famílias
Planos de saúde cobrem 35,3% dos atendimentos especializados, mas 28,5% recorrem ao particular e apenas 15,5% contam com o SUS. Entre os que conseguem terapia, um quarto soma no máximo uma hora semanal; já 18,1% não recebem acompanhamento nenhum. Além do impacto direto no desenvolvimento, o peso financeiro leva 30,5% dos responsáveis a ficar sem renda fixa, agravando a vulnerabilidade econômica dos lares.
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Crédito da imagem: Divulgação / Mapa Autismo Brasil